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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

TATUAGEM

Esse rabisco, em breve, vai estampar meu braço para sempre.

Cis- é o contrário de trans-. Cis-tema é um trocadilho que indica o sistema cis-, ou seja, o conjunto de normas relacionados à heteronormatividade e à naturalização das construções de gênero a ela relacionadas. 

A ideia da tatuagem partiu de uma campanha estadunidense que está estampada na camiseta da foto abaixo. A minha tentativa foi adaptá-la para que ela ficasse mais parecida com um manifesto, como nas pixações políticas (já que a frase me chamou atenção justamente em forma de pixação, numa parede da Fafich).

Os dois símbolos de masculino intercalados remetem à homossexualidade entre homens, e o símbolo misto de masculino e feminino remete a performances de gênero masculinas não normativas, dentro da lógica cis-têmica (chamadas pejorativamente de "afeminação"). 


domingo, 17 de novembro de 2013

PEQUENO GLOSSÁRIO SOBRE DIVERSIDADE SEXUAL

Tenho visto cada vez mais o quanto é importante fazermos uma separação entre “sexo biológico”, “identidade de gênero”, “performance de gênero” e “orientação sexual”, porque cada uma dessas categorias se refere a um aspecto diferente da questão da diversidade sexual.

As sexualidades das pessoas são como palavras de um texto: cada uma tem uma fonte, um tamanho, uma cor, e uma formatação (negrito, itálico, etc.), e cada uma dessas características é independente das demais.

O “sexo biológico” define com que características relacionadas ao dimorfismo sexual da espécie humana o indivíduo nasceu. Esse dimorfismo está relacionado à cadeia cromossômica do indivíduo. Nesse sentido, uma pessoa pode ser “macho”, “fêmea” ou “intersexual”. “Macho” é a pessoa que nasceu com um pênis padrão. Essa pessoa tem um cromossomo X e um cromossomo Y. “Fêmea” é a pessoa que nasceu com uma vulva padrão. Essa pessoa tem dois cromossomos X e nenhum cromossomo Y. “Interssexual” é a pessoa que nasceu com um pênis fora do padrão, ou com uma vulva fora do padrão. Essa pessoa nasceu com um clitóris muito grande em relação aos clitóris padrão (no caso de pessoas com dois cromossomos X e nenhum cromossomo Y), ou com um pênis muito pequeno em relação aos pênis padrão (no caso de pessoas com um cromossomo X e um cromossomo Y), ou com um pênis e uma vulva (no caso de cadeias cromossômicas com características que não se inserem em nenhum dos dois tipos de padrão).

A “identidade de gênero” define como a pessoa se autoidentifica. Nesse sentido, uma pessoa pode ser “mulher”, “homem” ou “neutra”. “Mulher” é a pessoa que normalmente se sente pertencente à mesma categoria das outras pessoas que se apresentam como mulheres. “Homem” é a pessoa que normalmente se sente pertencente à mesma categoria das outras pessoas que se apresentam como homens. “Neutra” é a pessoa que normalmente não se autoidentifica a partir de categorias de gênero

A “performance de gênero” define como uma pessoa se comporta e que tipo de aparência ela apresenta. Nesse sentido, uma pessoa pode ser “feminina”, “masculina”, “queer”, ou “andrógina”. “Feminina” é ê pessoa que normalmente aproxima sua aparência e seus comportamentos de um ideal de feminilidade. “Masculina” é a pessoa que normalmente aproxima sua aparência e seus comportamentos de um ideal de masculinidade. “Queer” é a pessoa que normalmente aproxima alguns elementos de sua aparência e de seus comportamentos de um ideal de feminilidade e outros de um ideal de masculinidade. “Andrógina” é a pessoa cuja aparência e comportamentos normalmente não se aproximam de nenhum desses ideais.

A “orientação sexual” define por que tipo de pessoas o indivíduo se sente sexualmente atraído. Ela tem a ver com a “performance de gênero” dessas pessoas. Nesse sentido, uma pessoa pode ser “homossexual”, “heterossexual”, “bissexual” ou “pansexual”. “Homossexual” é o “homem” que normalmente se sente sexualmente atraído por pessoas “masculinas” e também a “mulher” que normalmente se sente sexualmente atraída por pessoas “femininas”. “Heterossexual” é o “homem” que normalmente se sente sexualmente atraído por pessoas “femininas” e também a “mulher” que normalmente se sente sexualmente atraída por pessoas “masculinas”. “Bissexual” é a pessoa que normalmente se sente sexualmente atraída tanto por pessoas “masculinas” quanto por pessoas “femininas”. “Pansexual” é a pessoa que normalmente se sente sexualmente atraída por outras pessoas, independentemente de sua “performance de gênero”.

Ademais, há duas relações entre essas categorias que também precisam ser entendidas. A relação entre “sexo biológico” e “identidade de gênero” e a relação entre “sexo biológico” e “performance de gênero”. Quando um “macho” se autoidentifica como “mulher”, ou quando uma “fêmea” se autoidentifica como “homem”, essa pessoa é “transsexual”. Quando um “macho” se autoidentifica como “homem”, ou quando uma “fêmea” se autoidentifica como “mulher”, essa pessoa é “cissexual”. Quando um “macho” é “feminino”, ou quando uma “fêmea” é “masculina”, essa pessoa é “transgênero”. Quando um “macho” é “masculino”, ou quando uma “fêmea” é “feminina”, essa pessoa é “cisgênero”.

Há denominações alternativas que, no entanto, carregam uma carga grande de preconceito. Uma delas é a de “travesti”, que se refere aos machos transgêneros. Outra é “afeminado”, que se refere aos machos femininos (e, portanto, transgêneros) ou queers. Essa denominação é especialmente problemática por que aponta a feminilidade como algo desviante para o macho. Ainda mais uma é “hermafrodita”, que se refere aos interssexuais que nasceram com um pênis e uma vulva. Outras denominações alternativas não carregam a mesma carga de preconceito, como os termos “gay”, para se referir a homens homossexuais, e “lésbica”, para se referir a mulheres homossexuais. Já os termos “viado” e “sapatão”, que têm a mesma finalidade, também carregam grande carga de preconceito.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O PROBLEMA DO SEXISMO NOS BANHEIROS

Eu resolvi inventar um jeito de ser mais feminista nos meus textos feministas. Me lembrei da palavra “menine”, que se usa na Internet pra falar sobre um jovem andrógeno. Então pensei em usar o E como terminação em todas as palavras marcadas pelo gênero a partir do A ou do O. No artigo, para não confundir com a conjunção, vou usar o U. Este texto vai funcionar como um teste para ver se essa ideia gera algo legível. Assim sendo, por favor, me deem retorno depois de lerem, amigues!

Nosse sociedade é sexista du ponta du cabelo au dedão du pé. Nosse gênero é imposte a nós assim que nosses órgãos sexuais começam a se formar, ainda durante u gestação. E isse é tudo que importa: se temos buceta ou pinto. Se temos buceta, vamos gostar de cor-de-rosa, de brincar de boneque e de cozinhar. Vamos ser vaidoses, sensíveis e delicades. Se temos pinto, vamos gostar de azul, de brincar de carrinho e de jogar futebol. Vamos ser fortes, violentes e objetives.

Depois desse socialização primárie, u história continua nu escola. Lá tem um fila para menines com pinto e outra para menines com buceta. Us banheiros também são diferentes para cada um dus dois grupos. Afinal, seria um absurde menines com pinto frequentarem u mesme banheiro que menines com buceta. Primeire porque us menines com pinto são potenciais estupradores por natureza. Se eles verem um buceta nu frente deles, vão imediatamente querer colocar seus pintos dentro. Então é melhor evitar qualquer situação nu qual esse possibilidade exista, pelu menos estando eles desacompanhades de adultes. Segunde porque menines com buceta são naturalmente atraídes sexualmente por menines com pinto, e não com buceta como eles, e vice-versa. Obviamente, us dois argumentos que apresentei são irôniques.

Primeire, quando um pessoa vai au banheiro, ele não tem u mínime necessidade de ficar nu em frente aus outres. Mesme em vestiários, existe sempre u possibilidade de construirmos cabines de banho individuais, onde us pessoas possam se lavar, se secar e se vestir sem entrar em contato com ninguém. E u espaço necessárie para isse é pouco maior que u de vestiários coletives. Basta fazer corredores grandes, com cabines fines, e colocar dentro de cada um deles um chuveiro separade du resto du espaço por um box, além de um banquinho e ganchos du outre lado. U caso de cabines individuais para necessidades fisioloques é ainda mais fácil de resolver, basta eliminar us mictórios.

Segunde, cerca de dez por cento dus pessoas se sentem atraídes sexualmente por pessoas que tenham u mesme órgão sexual que eles, logo, segundo u lógica anteriormente empregade de forma irônique, banheiros dividides pelu órgão sexual dus pessoas favoreceriam u desenvolvimento du homossexualidade. Portanto, a fim de evitar qualquer contato sexual entre us crianças, de qualquer maneira se faria necessárie construir cabines individuais, tanto para necessidades fisiológiques quanto para banhos. No mais, poderíamos discutir se deveríamos ou não tolher u sexualidade dus crianças desse maneira, mas, para efeitos pratiques, nos limitemos aqui a aceitar esse pressuposto.

U divisão du banheiro pelu órgão sexual du usuárie tem ainda outre problema série: como adequar us banheiros para u uso pelus travestis e transexuais? Afinal, eles se comportam como se tivessem buceta quando na verdade têm pinto, ou vice-vera. Eliminar esse divisão simplesmente resolveria mais esse problema.

É claro que fazer esse mudança seria problemátique devido au fato de alguns pessoas não se sentirem confortáveis com ele. Mas não precisaria ser algo feite de um vez só. Poderíamos começar criando banheiros úniques au lado dus banheiros tradicionais, antes de us substituir de vez. Também poderíamos começar a fazer isso em ambientes frequentades por adultes, já totalmente responsáveis por seus ações, que não precisam ser vigiades, como nas faculdades.

Eu sou um pessoa com pinto, atraíde sexualmente por outrus pessoas com pinto, e um dus meus maiores sonhos é viver em um mundo cada vez menos sexiste.