sexta-feira, 28 de agosto de 2015

POR QUE BABILÔNIA FOI BOA DEMAIS PARA DAR CERTO



Parte do público pode não ter gostado de Babilônia por achar que a novela não tinha um roteiro consistente. Outra parte pode ter achado que as personagens eram planas demais, sem complexidades emocionais que gerassem identificação da gente com elas. Não discordo de nada disso. Mas o motivo principal de Babilônia não ter dado certo é que ela exagerou a mão na militância. Por paradoxal que seja, digo isso não como uma crítica, mas como um grande elogio.

Babilônia era progressista demais para agradar a maior parte do público. A novela expunha a intolerância e a corrupção que podem existir por trás da religião. Opunha-se ao o racismo, ao machismo,* à homofobia, à lesbofobia e (ainda que timidamente) à transfobia. Até um posicionamento contrário à redução da maioridade penal foi esboçado na trama. É claro que Babilônia não acertou em tudo. Além de ceder às pressões que sofreu, ela também deu algumas bolas fora. Mas o quadro final mostra uma novela mais comprometida com a militância do que nunca.

* A seguir, porém, há ressalvas em relação ao combate ao machismo por parte da novela.

Abaixo listo dez argumentos que sustentam minha perspectiva:

1. Uma família homoafetiva

Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg) não só eram um casal de lésbicas, elas eram um casal de lésbicas idosas, que viviam juntas há décadas. Mais ainda: eram um casal de idosas que tinham sexualidade. Logo no primeiro capítulo, elas já se beijaram. Essa foi, aliás, a cena que desencadeou o boicote de parte do público evangélico e conservador à trama. A novela cedeu, e não houve mais cenas de beijo. Mas Teresa continuou sendo o maior exemplo de ética e caráter da novela. Seu casamento com Estela e a forma como criaram Rafael (Chay Suede) foram construídos como o retrato de uma família exemplar. Com essa família, a homossexualidade foi tratada no cerne da novela pelo lado das lésbicas, explicitando a lesbofobia.

2. Uma advogada formada pelo sistema de cotas

Paula (Sheron Menezzes) era uma advogada competente e bem sucedida, negra e nascida na favela. Conseguiu se formar graças ao sistema de cotas, comprar um apartamento no asfalto e viajar para os Estados Unidos. A novela se preocupou não só em retratar a necessidade de se criar espaço para os negros no ensino e no mercado de trabalho, mas também tentou fazer o mesmo: o número de atores negros na trama (ainda que bem menor que o ideal) foi muito superior à média das demais novelas. Antes de Babilônia, só se via tantos negros em seus próprios núcleos e com suas próprias histórias, em novelas que ainda os retratam como escravos. Infelizmente, enquanto a elite ainda é branca, a maior parte da população pobre e de favela é negra. Babilônia teve consciência disso e fez diferente de outras novelas, que mesmo tendo a favela como ambiente fundamental na trama, quase não têm atores negros. Claro, ainda não é o suficiente: se menos da metade da população é branca, os negros deveriam estar muito mais presentes nas faculdades, como Paula, nas novelas e em qualquer outro ambiente em que são marginalizados. Mas Babilônia deu um passo à frente nesse caminho.

3. Independência feminina

Regina (Camila Pitanga) não é uma mocinha frágil e não precisa de um homem para defendê-la. Ela criou a filha sozinha, na favela, sustentando a casa que, além das duas, era ocupada pela mãe e pelo irmão mais novo. Trabalhava pesado como barraqueira para isso, mas teve competência e garra para conquistar espaços e se empoderar. A personagem Alice (Sophie Charlotte) também era outra que se recusava a depender do dinheiro de um homem.

4. O proselitismo religioso

Aderbal (Marcos Palmeira) justificava seu machismo e sua homofobia através de sua religião. Mas ignorava os preceitos dela em relação a tudo o que lhe convinha: criava esquemas de corrupção para desviar dinheiro público para seu bolso, traía sua esposa, fez com que sua amante abortasse quando ela engravidou dele.* Como agradar ao público conservador retratando um líder evangélico como um canalha e lésbicas como heroínas? Ao opor a fé de Laís (Luisa Arraes) à de seu pai, a novela demonstrou que ter uma religião e ser intolerante são coisas muito diferentes. Através do namorado dela, Rafael, mostrou também que não se precisa ter religião para ser ético. Por meio desse relacionamento, Babilônia retratou a possibilidade de convivência entre os universos aparentemente tão distintos de evangélicos e homossexuais.

*É importante lembrar que o aborto ainda é visto de forma muito negativa, e a novela não avançou muito em relação a isso. Quando Cris (Tainá Müller) engravidou de Vinícius (Thiago Fragoso), entretanto, o mocinho disse que a decisão de ter ou não o filho era dela, porque o corpo é dela.

5. Os adolescentes e a criminalidade

Wolnei (Peter Brandão) foi cooptado pelo crime durante toda a novela, e durante a maior parte dela entrou nesse barco. Mas o que o tirou desse caminho não foi a prisão, e sim a educação, o afeto e as oportunidades que lhe foram dados pelos familiares e amigos, que não desistiram dele. A novela foi completamente antenada com as discussões e problemas atuais do país, como o envolvimento das empreiteiras com a corrupção, no caso de Aderbal, e a redução da maioridade penal, no caso de Wolnei.

6. A beleza dos cabelos crespos

Júlia (Sabrina Nonata) sofria bullying na escola por causa de seus cabelos crespos. Mas a mãe lhe ensinou a ter orgulho de sua raça e a se lembrar da força de gerações que já tinham sofrido antes dela. Regina ensinou Júlia a se sentir linda por ter cabelos crespos. Paula também adorava seus cabelos assim, usava turbantes e outros acessórios que reforçavam sua matriz africana, e se recusava a alisá-los. Ivete (Mary Sheila) passou a trama renegando o visual e alisando os cabelos, até se render a ele no final, transformando-se enfim numa mulher confiante de sua beleza.

7. A masculinidade, a homossexualidade e o armário

Sérgio (Cláudio Lins) não era um personagem previsto no início da trama. O par romântico de Ivan (Marcello Melo Jr.) seria Carlos Alberto (Marcos Pasquim). A história foi alterada, mais uma vez, para ceder às pressões do público, que não queriam ver o ator que fez tantos papeis de pegador vivendo um gay no armário. Mas a trama foi contada de qualquer maneira, e as correntes que o armário impõe a quem está nele e a quem gosta de quem está nele não deixaram de ser abordadas.

8. A identidade de gênero de uma mulher trans

Úrsula (Rogéria) era a avó de Gabi (Kizi Vaz). Alguns personagens estranhavam e tinham dificuldade de lidar com isso. Mas era algo imposto, não havia espaço para justificar a negação. Ela era a avó e pronto. Os ultrapassados que lidassem com isso.

9. A sexualidade feminina

Esse é um ponto muito complicado. A novela começou tendo a possibilidade de dar um passo à frente, mas cedeu às pressões do público e acabou dando dois passos para trás. A sexualidade feminina assusta. Uma mulher que adora transar, que vê um homem gostoso e quer comê-lo no primeiro banheiro que encontra, é um absurdo no nosso sistema de valores. Assim era Beatriz no início da trama.

A dicotomia mocinha exemplar e vilã toda-errada já tornava essa estratégia ambígua. Seria mais fácil aceitar esse tipo de comportamento da vilã do que da mocinha: imagina se fosse Regina quem gostasse de fazer sexo livremente dessa forma?* Caracterizar a vilã assim poderia reafirmar a inadequação desse comportamento... Mas as vilãs têm se tornado tão carismáticas e o público tem se identificado tanto com elas... Para o bem ou para o mal, Beatriz fez o público encarar essa possibilidade.

No entanto, mesmo partindo da vilã, a sexualidade exacerbada não foi aceita, e Beatriz foi transformada em uma mulher apaixonada por Diogo (Thiago Martins), que chegou a dopar o gato do Pedro (André Bankoff) para não ter que transar com ele, e a negar investidas do deuso Murilo (Bruno Gagliasso). Uma mulher pegadora foi demais para a cabeça do público, que não estava disposto a lidar com o tema, nem que fosse para reafirmar sua inadequação: a sexualidade feminina é algo que grande parte das pessoas sequer deseja pensar que existe.

* Regina foi caracterizada, em grande parte da trama, como uma mulher romântica e quase sem desejo sexual.

10. Namorados e maridos também estupram

Quando Guto (Bruno Gissoni) tentou forçar a namorada Laís a transar com ele, a cena foi adequadamente lida pelas demais personagens como tentativa de estupro. O corpo da mulher não é público, nem pertence ao homem. Levar a namorada ou a esposa a transar contra sua vontade é completamente inadmissível. Estupros não são cometidos apenas por estranhos. Laís sentiu vergonha e quis esconder o fato. Muitas mulheres passam pelo mesmo. Mas a personagem conseguiu perceber que quem deveria estar envergonhado era ele e denunciou publicamente o ocorrido (ainda que não criminalmente, como seria o ideal).

Porém nem tudo foram acertos. É preciso lembrar que a novela, desde o começo, deu uma grande mancada em relação a Beatriz: culpabilizar a adolescente pelos assédios do pai de Inês (Adriana Esteves). Ainda que a moça incentivasse as investidas, não se pode responsabilizar a menor: o adulto é quem tinha condições de avaliar se aquilo era certo ou errado.

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Edição: 29/08/15 13:14

Minha amiga Mariana me lembrou de uma ressalva importante em relação à questão dos cabelos crespos: durante a transformação que marcou a ascensão social da mocinha Regina, momento comum na narrativa de grande parte das novelas, a principal marca da melhoria de vida da mãe de Júla foi o alisamento de seus cabelos.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

DRAG DUBLA HINO GOSPEL EM PARADA LGBT DE BH

A apresentação da drag queen Layla Vougue ocorreu durante a concentração da 18ª Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte, neste domingo, 19 de julho. Em meio a apresentações de dança e covers de Beyoncé, Britney Spears, Anitta e Ludimilla, a transformista subiu ao palco para dublar o hino evangélico "Raridade", de Anderson Freire. Dezenas de milhares de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros assistiram com atenção à apresentação. Quando a música acabou, ela foi ovacionada. Depois da performance, procurei Layla para conversarmos. Em suas palavras:

"Creio demais em Deus. Se eu respiro, se eu como, se eu me levanto, tudo o que eu faço é graças a Ele. Ele é tudo pra mim. Quis fazer a performance porque faço parte do Levante Popular da Juventude e isso é algo que impacta. Quis mostrar que Deus também está com quem está aqui, os LGBT, e não só com quem não está. Não frequento nenhuma igreja, acho que se você está com Deus, Ele está com você. Se você não está, Ele também não está."

Em determinado momento da performace, Layla voltou para o público um espelho com um crucifixo no centro, sendo muito aplaudida. A música dizia: "Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor".

Quando a transexual Viviany fez a performance da crucificação em São Paulo, as reações de muitos cristãos me fizeram refletir. Esses religiosos não pensam que LGBTs também podem ser cristãos, eles acham que cristianismo é exclusividade de heterossexual cisgênero, e que os LGBTs são incompatíveis com a religião. Acham que se um LGBT fala sobre cristianismo, é para zombar, e não para expressar a sua fé. A performance de Layla e suas palavras deixam claro que esses cristãos estão entendendo tudo errado. A ideia é sim impactar, mas para gerar diálogo, entendimento e inclusão em relação ao cristianismo e não para zombar dele.




sábado, 27 de junho de 2015

COMO É O PANORAMA DOS DIREITOS LGBT NO MUNDO?

É inegável a revolução que tem ocorrido no mundo no início deste século, em relação aos direitos de LGBTs. Nesse processo, Brasil e Estados Unidos não são os mais adiantados. Eis a lista dos vinte e um países que já aprovaram o casamento civil igualitário:


Holanda (2001)
Bélgica (2003)
Canadá e Espanha (2005)
África do Sul (2006)
Noruega e Suécia (2009)
Argentina, Islândia e Portugal (2010)
Dinamarca (2012) Brasil, França, Nova Zelândia e Uruguai (2013)
Escócia, Inglaterra, Luxemburgo e País de Gales (2014)
Irlanda e Estados Unidos (2015).

Tanto nos EUA como no Brasil, quem garantiu esse direito foi o judiciário. Mas lá, esse poder tem um peso maior sobre a constituição do que aqui. Portanto, ainda é necessário pressionar o legislativo para que o direito vire lei no Brasil. Não só em relação ao casamento. O direito à adoção também está garantido nesse mesmo esquema. É importante lembrar que tanto aqui, quanto lá, ainda há muitos reacionários

Ainda há muito o que se alcançar no mundo. A homossexualidade ainda é proibida em 75 países, especialmente na África e na Ásia, sendo punida com pena de morte em dez deles.

A decisão nos EUA é muito importante porque o país costuma servir de paradigma para diversas outras democracias, e porque as decisões ocorridas lá entram para os livros de história como marcos dessas revoluções.

É interessante notar como essas mudanças nos direitos civis são acompanhadas por mudanças nas representações. Aqui, Amor à Vida e Babilônia. Lá, Modern Family e Orange is The New Black.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO "VIVENDO NO FRONT"

Clique aqui para ver o trabalho em PDF.

Este é o post de nº 100 do Apontamentos Desapontados! É com alegria que eu chego a esse número no blog (depois de mais de quatro anos de existência dele) e também à conclusão da minha pesquisa de mestrado. Portanto, é muito significativo que este post seja sobre ela.

A minha dissertação de mestrado, intitulada "Vivendo no front: discursos acionados por sujeitos na fronteira entre perspectivas LGBTs e evangélicas" está disponível para visualização e download. Eis o resumo dela:

Como os sujeitos na fronteira entre perspectivas evangélicas e LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) sobre sexualidade lidam com as contradições existentes entre elas a fim de dar sentido às suas experiências e subjetividades? Através de uma etnografia multissituada, quatro grupos de Belo Horizonte foram investigados para o encontro de sujeitos nessa situação: o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos), a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), a Igreja Cristã Contemporânea (ICC) e a Igreja Batista da Lagoinha (IBL). Os sujeitos analisados são gays evangélicos, de igrejas inclusivas ou não, sendo alguns deles militantes LGBT. Os discursos evocados na IBL giram em torno de um “acolhimento” de sujeitos com experiências sexuais desviantes em relação à heteronormatividade, com a intenção de se promover uma “cura” dos mesmos. Os discursos presentes na ICC dizem de uma regulação das homossexualidades e transexualidades para adequá-las a um padrão similar ao da família nuclear tradicional, sendo o afastamento desse padrão relacionado ao “mundo”, que estaria em oposição à “igreja”. Os discursos em circulação na ICM apontam uma desnormatização das experiências sexuais, a fim de se buscar um afastamento do “fundamentalismo religioso” e uma defesa dos “Direitos Humanos”. Os discursos encontrados no Cellos indicam uma defesa do “Estado Laico”, que estaria sendo ameaçado pela “bancada evangélica” na Câmera Federal. Para dialogar com as teorias nativas, trago discussões teóricas sobre heteronormatividade (Prado; Junqueira), interação (Mead), conflito (Simmel), definição da situação (Thomas), discursos sociais (Bakhtin) e poder (Foucault). Durante o trabalho de campo, realizei também incursões em dezesseis outras igrejas e grupos de militância LGBT.

domingo, 21 de junho de 2015

TOP 10 CLIPES DE CHIQUITITAS (ANOS 90)


A primeira versão brasileira de Chiquititas estreou em 1997 e teve cinco temporadas. Atores como Débora Falabella, Bruno Gagliasso, Fernanda Souza e Jonatas Faro fizeram a novela quando ainda eram novinhos. A novela, que era um musical, lançou cinco trilhas sonoras e um álbum de natal. Entremeio as cenas, eram exibidos os clipes das músicas. A seguir, fiz um top 10 dos melhores!



10 - LIBERDADE

Talvez você não se lembre dessa música, porque ela é do último álbum, mas ela merece ser revista mesmo assim, simplesmente porque tem a Débora Falabella cantando! rs



9 - AMIGAS

Essa música do segundo álbum traz três atrizes que fizeram sucesso na Globo depois de Chiquititas: Carla Diaz (a Khadija de "O clone"), Gisele Frade (a Drica, de "Malhação") e Fernanda Souza, que dispensa apresentações.



8 - REMEXE

Remexe era a música de abertura da primeira temporada. Contava apenas com as chiquititas originais: Mili, Pata, Tati, Bia, Vivi, Cris, Ana e Dani. O "mexe, mexe, mexe com as mãos" era um vício.



7 - O CHEFE CHICO

Música animadíssima e conhecidíssima do segundo álbum. Os efeitos especiais são mara! rs



6 - MENTIRINHAS

Mentirinhas é a música mais triste de todas. Quem nunca derramou uma lágrima com a Tati cantando "Não me diga mentirinhas dói demais, eu sei que estou sozinha sem meus pais" que faça o primeiro comentário. A Mili, personagem da Fernanda Souza, também cantava essa música.



5 - APAIXONADA POR TODOS

A sofrida Tati cresceu e virou uma piriguete. rs No terceiro álbum, ela canta essa música com clip hilário, no qual ela deixa todos os meninos babando (incluindo o Jonatas Faro), e depois dispensa eles. Revendo, achei vulgar, sem ser sexy, a levantadinha no vestido pra seduzir os boy.



4 - O QUE VOCÊ FEZ?

Essa música foi lançada no especial de Natal, entre o segundo e o terceiro álbuns. O clipe é ótimo, e imita "Summer nights", de "Grease". Destaque no vídeo para a presença de Marian, melhor personagem de todas! Uma bitch que deixava a Hannelore, personagem da Sthefany Brito, no chinelo. rs Quem canta é o lindinho Jonatas Faro.



3 - PENSO EM TI 

No quarto álbum, o Jonatas Faro canta essa música ma-ra-vi-lho-sa. O clipe imita "Lagoa azul" e é com o par romântico dele, a Fran. Eu quase choro, por motivos de que eu queria ser a Fran quando eu era pequeno! ahahhah Ela era minha personagem favorita! Prepare você também o seu lencinho, porque o clipe é muito romântico!



2 - PASSARINHO

Brasil, olha como o Fran era deusa: depois do Jonatas Faro, ela se enfiou num triângulo amoroso com ninguém menos que Bruno Gagliasso e o lindo-maravilhoso Yuri, pelo qual eu era apaixonado. ahahah A Fran e o Yuri, por motivos óbvios, eram o casal que eu mais shippava na novela. É impagável ver o Gagliasso cantando essa música do último álbum.



1 - CORAÇÃO COM BURAQUINHOS

Música do segundo álbum, "Coração com buraquinhos" é provavelmente a mais conhecida e lembrada de todas. Amo/sou e com muita frequência ela ainda vem à minha cabeça, e do nada eu começo a cantar ela no chuveiro. Hahahah <3



BONUS TRACK 1  - CRESCER

Hhahaha Não resisti a por esse outro aqui da princesa Disney Fran. Na verdade, tirei ele do top dez porque a Franzinha é hors concours e já tava estrelando alguns outros clipes melhores lá em cima.



BONUS TRACK 2 - ADOLESCENTES

Música do último álbum, "Adolescentes" já não tem mais um clima muito "chiquititas", porque elas já cresceram, ao final da novela. Mas o clipe é excelente, e conta com Débora Falabella e Bruno Gagliasso arrasando na dancinha.

domingo, 14 de junho de 2015

GLOBO ABRINDO MÃO DOS CONSERVADORES?

Desde o polêmico beijo de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, Babilônia está tendo a pior média da história das novelas das vinte e uma horas da Rede Globo.

Aí, já vem casal de lésbicas e gay enrustido na próxima novela das nove. A impressão que eu tenho é que a Globo tá ligando o foda-se pro público conservador mesmo: "Vá com Deus para a Record".

O sonho da TV aberta de atingir a população ampla acabou com o advento da Internet, da TV a cabo, do DVD. Parece que a Globo, esperta como sempre foi (não é a toa que é a líder de audiência há tantas décadas), está percebendo que segmentar é a solução.

E se não dá pra brigar com a Record pelo público conservador, então vamo ficar com o seu oponente direto, nesse FlaXFlu que tem virado a sociedade brasileira.

domingo, 10 de maio de 2015

OS ATORES NEGROS E AS TELENOVELAS

Em Babilônia, a protagonista é Camila Pitanga (Regina). Há outros treze personagens negros. Dois deles bastante importantes no enredo: a de Sheron Menezzes (Paula), que é uma advogada bem sucedida, formada pelo sistema de cotas, e o de Thiago Martins (Diogo), ator que eu não sei se se identifica como negro, mas dentro da novela é visto como tal.

Os outros são: Marcello Melo (Ivan), Virginia Rosa (Dora), Val Perré (Cristóvão), Cesar Mello (Tadeu), Sabrina Nonata (Júlia), Marysheila (Ivete), Kizi Vaz (Gabi), Juliana Alves (Valeska), Cauê Campos (Carlinhos), Viviane Porto (Cilene) e Peter Brandão (Wolnei).

São quatorze personagens, num total de cinquenta e três que a novela tem. Menos de um terço, mas muito mais do que nas novelas em geral. O padrão da maioria absoluta das novelas é de pouquíssimos negros. Amor à Vida, por exemplo, tinha quatro, nenhum deles de destaque, num universo de noventa. Apesar de personagens bem sucedidos como os de Camila Pitanga (Carol) e Lazaro Ramos (André), em Insensato Coração, a maior parte dos personagens continua associada a serviços domésticos ou à favela. Em Babilônia, quase todos moram em uma.

Taís Araújo foi a primeira atriz negra a protagonizar uma novela brasileira (Xica da Silva - 1996). Antes disso, mesmo em novela sobre escravidão, como Sinhá Moça e Escrava Isaura, a protagonista era branca, mesmo que ela própria fosse escrava. Taís Araújo foi também a primeira protagonista negra de uma novela da Globo (Da Cor do Pecado - 2004), e depois de uma das vinte e uma horas (Viver a Vida - 2009). Só ela (quatro vezes) e Camila Pitanga (três vezes) já conseguiram esse feito.

Temos falado muito sobre a representação de LGBTs nas novelas, mas não podemos esquecer que outros grupos historicamente sub-representados continuam sendo...

sábado, 9 de maio de 2015

É MESMO ERRADO MUDAR A TRAMA DE BABILÔNIA?

Depois de um beijão entre duas das maiores atrizes brasileiras, idosas, no seu primeiro capítulo, Babilônia (Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga) vai eliminar a trama em que Marcos Pasquim revela-se gay. Os ânimos estão exaltados na militância online. Fala-se em boicote dos LGBTs à novela, assim como os evangélicos resolveram boicotá-la depois do beijo entre Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg.

A telenovela é um produto formado por uma tensão constante entre autor, público e emissora. Na história dos folhetins, essa tensão já gerou muitos resultados bons e ruins. Em Torre de Babel (1998-1999), as personagens de Silvia Phipher e Christiane Torloni, criadas por Sílvio de Abreu, foram mortas na explosão de um shopping, por determinação da Globo, depois de uma má aceitação delas por parte do público. Em América (2005), de Glória Perez, uma cena de beijo entre Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro chegou a ser gravada, mas a emissora, em meio a um público dividido, não permitiu que ela fosse ao ar. Em Amor à Vida (2013-2014), foi o público, através das redes sociais e até de telefonemas para a emissora, quem fez com que a Globo permitisse a cena de beijo entre Thiago Fragoso e Mateus Solano, escrita por Walcyr Carrasco.

Dez anos depois da proibição do beijo no último capítulo de América e dois anos depois da permissão do beijo no último capítulo de Viver a Vida, um beijo foi permitido no primeiro capítulo de Babilônia. É curioso que Torre de Babel e Babilônia façam referência a passagens bíblicas relacionadas ao pecado. De Torre de Babel, com a morte de duas lésbicas, para Babilônia, com o beijo entre elas logo de cara, passaram-se dezessete anos. As relações entre autor, público e emissora mudaram progressivamente nesse período.

Nos últimos anos, a problematização do preconceito e violência contra LGBTs tem estado sempre presente nas telenovelas. No horário das vinte e uma horas especialmente. Salve Jorge (2012-2013, Glória Perez) teve o tráfico de uma transexual brasileira para a Turquia, interpretada por uma atriz trans. Depois veio Amor à Vida. Em Família (2014, Manoel Carlos) teve o primeiro beijo entre duas lésbicas nessas novelas. Império (2014-2015 Aguinaldo Silva) teve a personagem queer Xana Summer.

A emissora Globo não é militante LGBT. Mas os autores de suas telenovelas são. A emissora está preocupada com a audiência, o que é normal e esperado. Ela é uma empresa, com fins lucrativos. Mas os autores estão preocupados em contribuir para a conquista de direitos e reconhecimentos de LGBTs. Em todas as disputas entre os dois, quem faz com que a coisa tenda para um lado ou para o outro é o público. Uma emissora de TV, que conta com uma concessão pública, deve ser socialmente responsável. A Globo não é uma heroína, mas tem proporcionado uma contribuição importante nas conquistas de reconhecimento de LGBTs nos últimos anos, apesar das limitações de alcance estabelecidas.

Nem Babilônia, nem seus autores, nem a Globo, devem ser vistos como monstros por eliminarem a homossexualidade do personagem de Marcos Pasquim. É uma pena que isso tenha acontecido, mas foi um ajuste razoável para conter os ânimos. Adianta forçar pela goela do público conservador um número saturado de tramas sobre essa questão? Isso faz com que esse público deixe de assistir o produto, deixando também de ser atingido por ele. Faz com que esse público se organize contra esse produto, reforçando seu próprio ódio e oposição aos direitos de LGBTs. Um equilíbrio tem que ser alcançado, para que esse público seja atingido positivamente, e com isso repense o ódio e a oposição que tem exercido. É preciso pensar de forma estratégica e não apenas emocional.

quinta-feira, 26 de março de 2015

POR QUE O BEIJO GAY NÃO COLOU DESTA VEZ?

Quem me conhece sabe que mais do que uma indignação por causa das reações negativas à novela Babilônia por parte de perspectivas evangélicas, o que eu estou sentindo é uma profunda tristeza pelo aumento da rivalidade entre grupos que acontecimentos como esse provocam. O que eu gostaria não é calar a boca dos evangélicos. O que eu gostaria é que isso não incomodasse tanto.

Mas como conseguir avanços políticos sem incomodar? Em alguns momentos, esfregar uma realidade diferente na cara de alguém é necessário para se impor, para mostrar que os seus direitos são maiores e mais importantes que os valores dos outros. Mas quais as consequências dessa estratégia?

Para os sujeitos diretamente implicados, isso significa um aumento muito grande na auto-estima deles. Homens e mulheres homossexuais passam a se sentir muito mais seguros para dar beijos em público depois que personagens da novela das nove fazem isso em frente a todo o país. Por muito tempo prevaleceu a lógica do armário para a homoafetividade: "Se quer fazer sem-vergonhices, que seja entre quatro paredes e não na frente dos outros". É a lógica da tolerância ao invés do respeito, em que os tolerantes ditam os limites aos tolerados. Mas na novela, não tem quatro paredes: os ambientes privados dos personagens são públicos para todos.

Para os sujeitos com perspectivas fortemente contrárias, a reação é de indignação. Antes de contribuir para a aceitação da homossexualidade por parte desses sujeitos, a exposição de um beijo no primeiro capítulo de uma novela das nove entre duas senhoras, sendo uma delas a atriz mais reconhecida do país, é um combustível potente para alimentar o ódio.

Para sujeitos com posicionamentos pouco inflamados em relação ao tema, a maré é quem vai conduzindo as leituras. O esperado beijo entre Félix e Niko, em Amor à Vida, foi inevitavelmente visto com maus olhos por grupos evangélicos. Mas eu pessoalmente presenciei brilhos nos olhos e sorrisos nos lábios de sujeitos não-LGBTs durante a cena. Do ponto de vista de estratégias comunicativas, aquele momento foi sem dúvida uma vitória sem precedentes.

O beijo entre Fernanda Montenegro e Natália Timberg teve uma natureza bem diferente. Veio antes das personagens, se impôs de forma muito menos digestível e palatável. Desceu amargo. Causou refluxo. Gerou uma sensação de se querer fazer descer algo pela guela do outro. Aí foi a indignação de grupos evangélicos e não a legitimidade do amor entre dois sujeitos quaisquer o que gritou e tocou o público amplo. A meu ver, demos um tiro no pé.

Supostamente, o beijo entre as personagens deveria expressar a naturalidade do afeto entre pessoas do mesmo sexo. Mas foi por isso mesmo que aquele beijo foi colocado ali? Ou a intenção era outra: causar a partir da não-naturalidade do proposto natural?

Acho que o momento é propício para que repensemos nossas estratégias de ação. Para termos reconhecimento público não temos que recrudescer inimigos, temos que conquistar e fortalecer aliados. Nem hoje, nem amanhã vamos conseguir que Silas Malafaia e sua trupe nos reconheçam. Quem temos que ganhar são os sujeitos não-LGBTs e não-evangélicos e os evangélicos não-fundamentalistas. É trazendo esses para o nosso lado e não dando a faca e o queijo na mão de Silas para levá-los para o lado de lá, é que vamos enfraquecer essa perspectiva.

Isso não significa voltar atrás nas conquistas. Parar os beijos. Significa pensar em como fazê-los de maneira mais estratégica.

terça-feira, 10 de março de 2015

ENCONTRE O ERRO - IMPÉRIO

Sim, isto é uma cópia descarada do “Encontre o erro” do Morri de Sunga Branca. Esse site fazia zuações hilárias com as novelas, antes de se vender para a Globo, por um canalzinho de vídeos chinfrim no GShow. O auge foi durante a novela Salve Jorge, com a saudosa Vôtevingájéssica.


Império tem tantos ou mais erros do que Salve Jorge tinha. Então fiquei com saudade dessas zuações e resolvi reavivá-las hoje, depois de uma das cenas mais mexicanas da nossa dramaturgia, envolvendo os queridos odiados personagens Maria Chefeira, Vicenbonete e Crissonsa.


Só que o meu blog é classe c e minha internet custa 2,99 cada 50MB, então não vou encher o post de prints da novela igual o Morri fazia, pq não sou pago pra isso. Enfim, se alguém quiser me mandar os prints, depois eu acrescento.

Então. Na infância, Crissonga dispensava Johnson’s Baby e já tomava banho usando Vicenbonete. 


Aí veio o primeiro governo Lula, a família do Vicenbonete começou a receber Bolsa Família e pôde voltar a criar ele no sertão.

Um dia Vicenbonete voltou pra Santa Tereza e. como 80% do elenco da novela, foi morar na casa do Xana Vera Verão Summer.


Crissonsa largou o namorado advogado do diabo pra poder voltar a se ensaboar com as fragrâncias de Jequiti de Vicenbonete.


Um dia, o moço todo fofo chama Crissonsa e o irmão figurante e a tia pentelha, todo mundo para jantar no Vicenbonete (o restaurante que têm o nome do chefe, e que antes era Enricomofóbico). Ela, do nada, dá um chilique e fala: “Você é o amor da minha vida e paga janta pra minha tia pentelha, então eu vou terminar com você”

Maria Chefeira, que havia sido abandonada por Enricomofóbico, não consegue controlar sua atração fatal por chefes cujos restaurantes têm o nome deles, e aproveita para levar Vicenbonete para o seu banheiro.


Maria Chefeira passa a dar uma média de um chilique por capítulo, em alguns deles chegando a dar três e pedir música no Fantástico. A cada chilique, Vicenbonete fica mais apaixonado e pede ela em casamento.

Maria Chefeira então, começa a preparar o casamento. A primeira coisa a decidir é quem contratar para organizar o evento. O que fazer nessa hora?

a) Ligar pra Fernanda Souza e perguntar: “Miga, quem organizou seu casamento com o Thiaginho?” 
b) Procurar um buffet no Google
c) Contratar os pais do seu ex que te largou no altar.


A segunda decisão importante é quem chamar para ser sua madrinha:

a) Sua BFF da escola.
b) Uma figurante qualquer que passar pela rua.
c) A ex do seu futuro marido que também é o amor da vida dele.

A terceira decisão é decidir que função sua madrinha vai ter no seu casamento:

a) Levar as alianças.
b) Ficar quietinha no altar e assinar um papel no fim da cerimônia.
c) Te vestir de noiva.

A quarta e não menos importante decisão é o vestido da madrinha.

a) Um pretinho básico.
b) Um terninho em tons pasteis à la esposa da Claudete Hétera.
c) O vestido branco e dourado/preto e azul
d) Um vestido mega vermelho cor-de-cabelo-de-Duda realçado com marca texto.


O que a ex fala como resposta a todas essas decisões?

a) Cê tá louca, minha fia? Eu vou te manda praquela clínica que o Pavão Misterioso ficou internado na novela das sete!
b) Olha, estou lisonjeada com o convite, mas tenho um exame de fezes inadiável marcado para o mesmo dia.
c) Claro, miga, vamos dar as mãos e ser felizes no mundo da imaginação!

Aí, enquanto a ex do seu bofe tá te vestindo, sobre o que você fala?

a) E essa crise da água, hein, menina?
b) Ontem eu gastei minhas Tramontina fazeno panelaço contra aquela brega.
c) Quantas vez por dia cê dava pro meu noivo? Era gostoso?


Depois desse diálogo surreal, Crissonsa e Maria Chefeira começam a briga mais emocionante da hizzzzZzz Z ZZZ...

Ops, cochilei cinco minutos e até agora nem um tapinha, acordei assustado achando que tinha deitado no controle remoto e ido sem querer pra um programa de lesco-lesco lésbico.


De repente elas param de se engalfinhar e começam a rir alegremente da situação, como boas migas que são.

AI, MIGA, COMO VOCÊ É DIVERTIDA! POR ISSO Q TE CHAMEI PRA SER MINHA MADRINHA, SÒ VC PRA RASGAR MEU VESTIDO E ME BATER NO DIA DO MEU CASAMENTO, TE AMO S2 S2 S2 Ó, TIVE UMA IDEIA, CASA COM ELE NO MEU LUGAR, MIGA, EU SOU FILANTRÓPICA E QUERO DOAR MEU NOIVO PRA ALGUÈM DA CLASSE C

Aí a Crissonsa fala: AH, TÔ FAZENO NADA, VAMO CASAR, ENTÂO, NÉ...


Aí chega uma costureira que não só não tem falas como também não tem uma atriz escalada para fazê-la, leva uns cinco pano de prato da casa dela, remenda o vestido da Maria Chefeira pra caber na Crissonsa e ele fica lindo como novo.


Ela passa num antiquário no caminho e compra o véu que a Isis Valverde usava em Sinhá Moça pra fazer mais mistério quando chegá.


Aí, sem proclames, sem documentação necessária, sem ninguém achar estranho, sem a mãe da noiva fazer barraco, sem Vicenbonete se importar com quem tá casando, ocorre uma cena chatíssima de flashbacks que dura uns quarenta minutos.


Tá vendo, Dilma, onde o país tá chegando, até rodízio de noiva a gente já tá teno que implantá.

Olha, só acho que esse sabonete já esfregou corpos melhores.


Edit: O Morri de Sunga resolveu ressuscitar e publicou um Encontre o Erro de Império também! \o/