sábado, 20 de maio de 2017

E AGORA, PETRALHA?



No meio dessa lama que respinga por todos os lados, me encontro ainda na expectativa da apresentação ou não de provas concretas contra Dilma e Lula.
Confesso que há algum tempo passei a supor que ambos tivessem se beneficiado, ao menos eleitoralmente, com dinheiro de caixa dois. Mas tinha uma esperança (possivelmente inocente) de que não tivessem conhecimento disso, o que os isentaria de dolo.
Mais recentemente, comecei a me convencer de que talvez soubessem, mas tivessem feito vista grossa, na minha imaginação, o mais otimista possível, contrariados, "de mãos atadas" dentro de todo um esquema muito maior que eles.
Agora, duas possibilidades me assustam muito: A primeira de que eles não só fizessem vista grossa, mas que participassem ativamente da arrecadação e administração das verbas ilícitas. A segunda (e que me causaria uma decepção ainda maior) de que, além do caixa dois para fins políticos, tivessem recebido também alguma propina para uso pessoal.
Denúncias existem nos dois sentidos contra ambos. Mas provas concretas faltam. Em torno de Lula há mais indícios e mais suspeitas, e, até pelo próprio perfil dele, me surpreenderia menos do que no caso de Dilma, que pra mim vem sendo uma referência de caráter em meio ao caos.
A verdade é que é difícil para qualquer um deixar de acreditar em quem defendeu tanto na vida, em quem apostou tanto (e isso vale para petralhas, assim como vale para coxinhas).
Mas responsáveis ou não, e tendo o grau de responsabilidade que tiverem (e que desejo muito que seja revelada e punida caso haja), algumas coisas não deixam de ser verdade, porque, como diria Inês: "é aquele ditado..." Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
1. Foi golpe sim, claramente, e com fins de barrar a Lava Jato (o que felizmente saiu pela culatra). Uma "pedalada na democracia", como diz (vejam só!) Renan Calheiros, um uso ardiloso de brechas constitucionais aproveitadas de forma contrária a ideais democráticos com finalidades escusas, um ritual encenado para atingir uma meta oposta ao objetivo pelo qual deveria ocorrer.
2. Há dois pesos e duas medidas sim, da mídia e de Moro, no julgamento (institucional e público) contra Lula e contra os tucanos. Uma forçação de barra e espetáculo midiático descomunais em relação a Lula sem provas, e uma tentativa patética arrastada por todo esse tempo de blindar Aécio e cia.
3. Lula e Dilma inegavelmente mudaram o Brasil, e muito, para melhor em relação a distribuição de renda, com erradicação da fome, diminuição gigantesca da pobreza e negros e pobres nas universidades.
A integridade moral deles está em jogo, e me encontro aberto pra quebrar a cara com eles, mas independente disso, esses fatos não podem ser apagados...
Há um bom tempo não sou mais petista stricto sensu. Abracei o PSOL há algumas eleições como uma nova possibilidade frente a essa baderna e passei a me opor à esquerda ao governo Dilma. Taí outro medo de me decepcionar frente a todas as falcatruas que ainda estão por serem esclarecidas.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

DIA DE COMBATE À LGBTFOBIA

17 de maio é o Dia de Combate à LGBTfobia!

Ué, mas não era à Homofobia?

Muita gente muito bacana e que super ajuda a combater à LGBTfobia, ainda não sabe a importância de se preferir o termo LGBTfobia ao invés de homofobia.

LGBT signigica Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros.

Dentro da comunidade LGBT, as diversas identidades que compõe essas letrinhas foram historicamente eclipsadas pela visibilidade dada aos homens homossexuais.

No início, ao invés dessa sigla, se usava o termo "comunidade gay". Daí dá pra ver como, de um ponto de vista histórico, os homens homossexuais sempre tiveram uma visibilidade muito maior no movimento. Ainda hoje, muitas pessoas continuam a usar o termo "Parada Gay", ao invés de "Parada LGBT", por exemplo.

Depois, a sigla usada pra designar a comunidade era GLBT. O L, que significa Lésbicas, foi para frente para indicar a necessidade de se pensar e de se tomar atitudes para contornar esse problema.

Com o termo homofobia não foi diferente: as diversas identidades LGBT passaram a questionar o termo por focar apenas nos problemas e dificuldades enfrentados pelos homens gays.

Daí surgiram termos específicos para designar os preconceitos existentes contra cada identidade. A lesbofobia, por exemplo, está ligada a "estupros corretivos" e fetichização. A bifobia, ao apagamento desse grupo e à crença equivocada de que bissexuais são, na verdade, gays ou lésbicas enrustidos. A transfobia está ligada às violências e a negação de direitos sofridos pelas pessoas que se identificam com um gênero diferente daquele que lhes foi designado quando nasceram.

Então começaram a surgir termos para tentar evidenciar a existência desses múltiplos preconceitos. Inicialmente, experimentou-se homolesbotransfobia. Grande e confuso. Chegou-se, então, ao simples, mas muito mais representativo, LGBTfobia.

Prefira esse termo! Utilizar os termos mais representativos é um jeito simples e prático de ajudar na luta contra a LGBTfobia.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

AS NOVAS TECNOLOGIAS ATRAPALHAM A VIDA OFFLINE?


Tenho visto cada vez mais forte o enquadramento de que as novas tecnologias atrapalham as experiências offline. Não concordo com ele.
Gastar tempo com tecnologias que nos transportam para mundos virtuais não é algo novo. Há décadas temos televisões e videogames, que ocupam boa parte do tempo de adultos e crianças.
A atividade de utilizar redes sociais no celular, por exemplo, em boa parte do tempo não é individual. Quando duas pessoas estão próximas uma da outra, é comum elas compartilharem de modo tradicional (offline) um vídeo ou imagem, ou comentarem o que estão lendo. Exatamente como fazemos quando vemos TV ou jogamos videogame com alguém.
Essas tecnologias servem para marcarmos eventos offline com quem dificilmente veríamos pessoalmente de outra forma, e para manter os laços fortes durante esse período de distância.
Eu, pessoalmente, não conheço nenhuma pessoa que, por causa das novas tecnologias, deixe de gostar de viajar, por exemplo, e conheço pouquíssimas pessoas que não gostam de sair com os amigos. Mas já conhecia pessoas assim antes das novas tecnologias, então não acho que elas sejam a causa.
Tenho sobrinhas adolescente e criança, e não acho que a infância, nem a adolescência delas foram menos ricas que as minhas por causa de novas tecnologias.
Tenho primas muitos novas, que já nasceram com tablets e smartphones, e nem por isso vejo elas não gostarem de brincar no chão com brinquedos tradicionais.
Sinto novas tecnologias me ajudando, e ajudando pessoas mais experientes, como minha mãe, por exemplo.
As tecnologias nos trazem muito conhecimento, permitem que a gente vivencie uma quantidade de experiências que seriam impossíveis numa vida sem elas.
Acho que o pessimismo se baseia em estereótipos de pessoas que são viciadas em jogos ou redes sociais, assim como sempre houve pessoas viciadas em tudo, como livros, por exemplo (taí uma outra boa discussão pra outro momento: porque ler livros é assim tão superior a ver séries, por exemplo?).
É claro que existem casos (talvez em número realmente preocupante) de pessoas viciadas em novas tecnologias, que precisam ser olhados com atenção, especialmente as crianças. Mas não creio que a solução para as crianças, por exemplo, seja retirar da vida dela as novas tecnologias, mas saber dosar, como é preciso dosar tudo na educação de uma criança.
O que acho equivocado é, principalmente, valer-se de esteriótipos e de casos problemáticos para generalizar um novo tipo de interação.
Nas redes sociais, por exemplo, estamos trocando ideias e construindo laços com indivíduos de uma nova maneira. Por que esse novo formato seria tão inferior assim? Ele não pode ser conjugado com o tradicional trazendo novas possibilidades e benefícios?
Historicamente, há sempre forte oposição e pessimismo em relação a novas mídias. Quando surgiu a escrita, por exemplo, acreditava-se que seria o fim da memória.