sábado, 27 de junho de 2015

COMO É O PANORAMA DOS DIREITOS LGBT NO MUNDO?

É inegável a revolução que tem ocorrido no mundo no início deste século, em relação aos direitos de LGBTs. Nesse processo, Brasil e Estados Unidos não são os mais adiantados. Eis a lista dos vinte e um países que já aprovaram o casamento civil igualitário:

Holanda (2001)
Bélgica (2003)
Canadá e Espanha (2005)
África do Sul (2006)
Noruega e Suécia (2009)
Argentina, Islândia e Portugal (2010)
Dinamarca (2012) Brasil, França, Nova Zelândia e Uruguai (2013)
Escócia, Inglaterra, Luxemburgo e País de Gales (2014)
Irlanda e Estados Unidos (2015).

Tanto nos EUA como no Brasil, quem garantiu esse direito foi o judiciário. Mas lá, esse poder tem um peso maior sobre a constituição do que aqui. Portanto, ainda é necessário pressionar o legislativo para que o direito vire lei no Brasil. Não só em relação ao casamento. O direito à adoção também está garantido nesse mesmo esquema. É importante lembrar que tanto aqui, quanto lá, ainda há muitos reacionários

Ainda há muito o que se alcançar no mundo. A homossexualidade ainda é proibida em 75 países, especialmente na África e na Ásia, sendo punida com pena de morte em dez deles.

A decisão nos EUA é muito importante porque o país costuma servir de paradigma para diversas outras democracias, e porque as decisões ocorridas lá entram para os livros de história como marcos dessas revoluções.

É interessante notar como essas mudanças nos direitos civis são acompanhadas por mudanças nas representações. Aqui, Amor à Vida e Babilônia. Lá, Modern Family e Orange is The New Black.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO "VIVENDO NO FRONT"

Clique aqui para ver o trabalho em PDF.

Este é o post de nº 100 do Apontamentos Desapontados! É com alegria que eu chego a esse número no blog (depois de mais de quatro anos de existência dele) e também à conclusão da minha pesquisa de mestrado. Portanto, é muito significativo que este post seja sobre ela.

A minha dissertação de mestrado, intitulada "Vivendo no front: discursos acionados por sujeitos na fronteira entre perspectivas LGBTs e evangélicas" está disponível para visualização e download. Eis o resumo dela:

Como os sujeitos na fronteira entre perspectivas evangélicas e LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) sobre sexualidade lidam com as contradições existentes entre elas a fim de dar sentido às suas experiências e subjetividades? Através de uma etnografia multissituada, quatro grupos de Belo Horizonte foram investigados para o encontro de sujeitos nessa situação: o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos), a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), a Igreja Cristã Contemporânea (ICC) e a Igreja Batista da Lagoinha (IBL). Os sujeitos analisados são gays evangélicos, de igrejas inclusivas ou não, sendo alguns deles militantes LGBT. Os discursos evocados na IBL giram em torno de um “acolhimento” de sujeitos com experiências sexuais desviantes em relação à heteronormatividade, com a intenção de se promover uma “cura” dos mesmos. Os discursos presentes na ICC dizem de uma regulação das homossexualidades e transexualidades para adequá-las a um padrão similar ao da família nuclear tradicional, sendo o afastamento desse padrão relacionado ao “mundo”, que estaria em oposição à “igreja”. Os discursos em circulação na ICM apontam uma desnormatização das experiências sexuais, a fim de se buscar um afastamento do “fundamentalismo religioso” e uma defesa dos “Direitos Humanos”. Os discursos encontrados no Cellos indicam uma defesa do “Estado Laico”, que estaria sendo ameaçado pela “bancada evangélica” na Câmera Federal. Para dialogar com as teorias nativas, trago discussões teóricas sobre heteronormatividade (Prado; Junqueira), interação (Mead), conflito (Simmel), definição da situação (Thomas), discursos sociais (Bakhtin) e poder (Foucault). Durante o trabalho de campo, realizei também incursões em dezesseis outras igrejas e grupos de militância LGBT.

domingo, 21 de junho de 2015

TOP 10 CLIPES DE CHIQUITITAS (ANOS 90)


A primeira versão brasileira de Chiquititas estreou em 1997 e teve cinco temporadas. Atores como Débora Falabella, Bruno Gagliasso, Fernanda Souza e Jonatas Faro fizeram a novela quando ainda eram novinhos. A novela, que era um musical, lançou cinco trilhas sonoras e um álbum de natal. Entremeio as cenas, eram exibidos os clipes das músicas. A seguir, fiz um top 10 dos melhores!



10 - LIBERDADE

Talvez você não se lembre dessa música, porque ela é do último álbum, mas ela merece ser revista mesmo assim, simplesmente porque tem a Débora Falabella cantando! rs



9 - AMIGAS

Essa música do segundo álbum traz três atrizes que fizeram sucesso na Globo depois de Chiquititas: Carla Diaz (a Khadija de "O clone"), Gisele Frade (a Drica, de "Malhação") e Fernanda Souza, que dispensa apresentações.



8 - REMEXE

Remexe era a música de abertura da primeira temporada. Contava apenas com as chiquititas originais: Mili, Pata, Tati, Bia, Vivi, Cris, Ana e Dani. O "mexe, mexe, mexe com as mãos" era um vício.



7 - O CHEFE CHICO

Música animadíssima e conhecidíssima do segundo álbum. Os efeitos especiais são mara! rs



6 - MENTIRINHAS

Mentirinhas é a música mais triste de todas. Quem nunca derramou uma lágrima com a Tati cantando "Não me diga mentirinhas dói demais, eu sei que estou sozinha sem meus pais" que faça o primeiro comentário. A Mili, personagem da Fernanda Souza, também cantava essa música.



5 - APAIXONADA POR TODOS

A sofrida Tati cresceu e virou uma piriguete. rs No terceiro álbum, ela canta essa música com clip hilário, no qual ela deixa todos os meninos babando (incluindo o Jonatas Faro), e depois dispensa eles. Revendo, achei vulgar, sem ser sexy, a levantadinha no vestido pra seduzir os boy.



4 - O QUE VOCÊ FEZ?

Essa música foi lançada no especial de Natal, entre o segundo e o terceiro álbuns. O clipe é ótimo, e imita "Summer nights", de "Grease". Destaque no vídeo para a presença de Marian, melhor personagem de todas! Uma bitch que deixava a Hannelore, personagem da Sthefany Brito, no chinelo. rs Quem canta é o lindinho Jonatas Faro.



3 - PENSO EM TI 

No quarto álbum, o Jonatas Faro canta essa música ma-ra-vi-lho-sa. O clipe imita "Lagoa azul" e é com o par romântico dele, a Fran. Eu quase choro, por motivos de que eu queria ser a Fran quando eu era pequeno! ahahhah Ela era minha personagem favorita! Prepare você também o seu lencinho, porque o clipe é muito romântico!



2 - PASSARINHO

Brasil, olha como o Fran era deusa: depois do Jonatas Faro, ela se enfiou num triângulo amoroso com ninguém menos que Bruno Gagliasso e o lindo-maravilhoso Yuri, pelo qual eu era apaixonado. ahahah A Fran e o Yuri, por motivos óbvios, eram o casal que eu mais shippava na novela. É impagável ver o Gagliasso cantando essa música do último álbum.



1 - CORAÇÃO COM BURAQUINHOS

Música do segundo álbum, "Coração com buraquinhos" é provavelmente a mais conhecida e lembrada de todas. Amo/sou e com muita frequência ela ainda vem à minha cabeça, e do nada eu começo a cantar ela no chuveiro. Hahahah <3



BONUS TRACK 1  - CRESCER

Hhahaha Não resisti a por esse outro aqui da princesa Disney Fran. Na verdade, tirei ele do top dez porque a Franzinha é hors concours e já tava estrelando alguns outros clipes melhores lá em cima.



BONUS TRACK 2 - ADOLESCENTES

Música do último álbum, "Adolescentes" já não tem mais um clima muito "chiquititas", porque elas já cresceram, ao final da novela. Mas o clipe é excelente, e conta com Débora Falabella e Bruno Gagliasso arrasando na dancinha.

sábado, 20 de junho de 2015

TRANSRACIALIDADE?

Uma mulher trans negra dizendo que uma "negra trans" é uma impostora. Alguns dos argumentos:

1. Quando uma mulher trans se identifica como mulher, isso não é algo que ela escolheu, é algo que ela constatou. Quando uma "negra trans" se identifica como negra, isso é algo que ela escolheu.

2. A "negra trans" pode tirar a maquiagem e lavar o cabelo, e vai voltar a ser branca. A mulher trans não pode voltar a ser homem.

3. O gênero não tem base biológica (porque sexo não determina gênero), mas a raça tem base biológica.

4. Uma negra não pode escolher ser branca. Mesmo que ela se diga branca, não será aceita como tal. 

5. As experiências de vida de uma "negra trans" não são as mesmas de uma mulher que "nasceu negra".

6. A mulher trans está vivendo a sua verdade, a "negra trans" está vivendo uma mentira.

Bom, acho essa argumentação bastante incoerente.

1. Quando uma "negra trans" olha pro seu cabelo liso, pra sua pele clara e fala: "eu não gosto assim, eu gosto de cabelo crespo e pele morena", ela não está constatando que ela não se sente bem com os fenótipos que ela tem? Se ela continuar com o cabelo liso e a pele clara, ela não vai continuar se sentindo mal por não querer ter aquela aparência? Então é mesmo uma simples questão de escolha? Será que a mulher trans já nasce se sentindo mulher? Simone de Beauvoir tava errada então ao dizer que ninguém nasce mulher? Ou será que ela vai se identificando com o feminino à medida que o conhece e não se identificando com o masculino à medida que o conhece? Não é isso o que acontece também com uma "negra trans"?

2. Se a "negra trans" tirar a maquiagem e lavar o cabelo, ela vai se sentir branca? Ou ela vai estar se violentando fortemente por estar se despindo da aparência que ela deseja ter? Não é o mesmo que achar que se uma mulher trans cortar o cabelo e tirar a maquiagem vai voltar a ser homem? Se a "negra trans" não consegue se despir dessa aparência, e sofre preconceito e violência devido a essa aparência, ela não sofre racismo? Ela não tem, devido a isso, experiência do que é ser negra?

3. A diferença entre sexo e gênero é um artifício de linguagem, pra separar o que é biológico do que é social. Não existe esse artifício em relação a raça. Mas se a gente falar de raça e "identidade racial", a identidade racial também não é determinada pela raça, é?

4. Não tem um monte de mulheres negras que alisam o cabelo, afinam o nariz, etc, por se identificaram com um fenótipo diferente do que têm? À "negra trans" também não tá sendo negado ser negra?

5. As experiências de uma mulher trans não são diferentes de um sujeito que "nasce mulher"?

6. Peraí, não é isso que mulheres cis transfóbicas falam de mulheres trans?

Uma mulher trans sofre ainda mais, a meu ver, que uma mulher cis. Acredito que em relação a raça seja diferente, a "negra cis" deve sofrer muito mais. Mas eu não acho que seja um campeonato de quem sofre mais.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

FEMINISTA, AFINAL

Sim, eu sou feminista, porque essa é uma perspectiva ideológica, e ninguém, além de mim, pode definir como eu devo ou não pensar.

Isso significa, basicamente, que eu concordo que o patriarcado, a dominação masculina, a misoginia, o machismo, são todos sistemas que precisam ser combatidos. Significa que eu acredito que o feminino não é, sob nenhum aspecto, inferior ao masculino. Que mulheres não são, sob nenhuma dimensão, inferiores aos homens. Que mulheres não devem ser tratadas, sob nenhuma circunstância, como propriedade masculina. Que mulheres não devem, em nenhum momento, ser subjugadas por homens. Que homens, mulheres e quaisquer pessoas devem ser livres para ser como quiserem e puderem ser, sem expectativas e cobranças que os limitem e os reprimam.

Não, eu não sou militante feminista, porque as mulheres têm toda a capacidade e direito de tocar essa militância sem interferência, e isso é muito bom. Não, eu não sou homem. Você pode me designar assim, a sociedade me designou assim quando eu nasci. Mas eu não me designo assim.

Não, eu não sou mulher. Eu sou um sujeito não-binário. Não me identifico com nenhum dos dois papéis/lugares/designações. Me identifico sem hierarquias com aspectos do masculino e com aspectos do feminino, e tô muito bem resolvido e feliz assim.

Se você não é capaz de entender isso, por favor, tente se esforçar para fazê-lo ao invés de negar essa possibilidade (eu também não era capaz há algum tempo e sofria muito por não conseguir me definir).

A minha perspectiva é construída em torno do feminismo liberal. Eu acho o feminismo radical um movimento autoritário e intolerante. Acho feministas radicais sujeitos que não sabem lidar bem com a alteridade, tanto quanto cristãos fundamentalistas.

Como eu não sou mulher, tem coisas das experiências de ser mulher que eu não domino bem. Eu tento usar a empatia para entender, mas nem sempre consigo. Por isso, eu agradeço às mulheres que demonstram boa vontade para apontar equívocos nos meus posicionamentos, afinal nenhuma mulher é obrigada a me dar essa ajuda.

Quando eu me equivoco, minha intenção não é impor meus pensamentos ou silenciar uma mulher. Minha intenção é sempre debater com pessoas (homens, mulheres ou não) sobre assuntos que despertam nosso interesse, mas às vezes eu apresento posicionamentos machistas e tenho atitudes misóginas. Todos nós (homens, mulheres ou não) somos, em algum grau, machistas e misóginos, porque a linguagem, as instituições, a cultura, tudo é assim, e a gente não é nunca completamente consciente dessas coisas. Mas claro, como sou designado como homem existem assimetrias de poder legitimadas socialmente nessas interações, o que exige que o meu cuidado tenha que ser redobrado para não fazer algo opressivo. Mas o mais importante, a meu ver, é ter a boa vontade de aprender.

Nem todos os meus posicionamentos divergentes se devem ao fato de eu não ser mulher. Mulheres diferentes também têm posicionamentos diferentes. Além disso, eu tenho uma formação acadêmica e uma bagagem de leitura que me faz ver os fenômenos em geral, e não só os relacionados ao feminismo, de determinado lugar diferente do de outras pessoas.

Mas ultimamente, eu tenho estado tão envolto nessas discussões, que nada mais tem me trago diversão. Facebook, televisão, cinema, tudo eu tenho transformado em discussão sobre feminismo, e isso tá me fazendo muito mal.

Quando eu era pequeno, eu chorava quase todos os dias porque os meninos diziam que eu não era homem. Ultimamente, eu tenho chorado quase todos os dias porque as meninas dizem eu sou. Então parei com isso, pelo menos por enquanto.

Saí dos grupos em que eu discutia esse assunto, parei de seguir as páginas sobre esse assunto no Facebook, mudei o meu projeto de pesquisa do doutorado pra pesquisar outra coisa.

Esse é o último post que eu pretendo fazer sobre essa problemática por um longo período (tomara que eu consiga). Quis fazê-lo como um fechamento, uma conclusão dos meus pensamentos até aqui, antes de me sentir à vontade para debatê-los de novo.

domingo, 14 de junho de 2015

GLOBO ABRINDO MÃO DOS CONSERVADORES?

Desde o polêmico beijo de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, Babilônia está tendo a pior média da história das novelas das vinte e uma horas da Rede Globo.

Aí, já vem casal de lésbicas e gay enrustido na próxima novela das nove. A impressão que eu tenho é que a Globo tá ligando o foda-se pro público conservador mesmo: "Vá com Deus para a Record".

O sonho da TV aberta de atingir a população ampla acabou com o advento da Internet, da TV a cabo, do DVD. Parece que a Globo, esperta como sempre foi (não é a toa que é a líder de audiência há tantas décadas), está percebendo que segmentar é a solução.

E se não dá pra brigar com a Record pelo público conservador, então vamo ficar com o seu oponente direto, nesse FlaXFlu que tem virado a sociedade brasileira.