quarta-feira, 7 de março de 2012

O amor sexual e a questão da beleza

Há quem defenda que a beleza é uma variável completamente subjetiva. Nada mais equivocado. Existem adolescentes que se derretem pelo Robert Pattinson, enquanto outr@s preferem o Taylor Lautner. Há quem pire na exuberância da Mulher Melão, enquanto outr@s se fascinam pela elegância de Roberta Sá. Mas ninguém, de forma honesta e sensata, diria que Paula Fernandes é mais feia que Edinéia Macedo, ou que Sérgio Loroza é mais hot que Zezé di Camargo.

Isso porque existem padrões objetivos de beleza masculina e feminina. Certamente, mais de um padrão para cada. O homem mais bonito é o mais másculo ou o mais delicado? A mulher mais gata é a mais boazuda ou a mais angelical? Há pessoas bonitas que se aproximam de um ou outro padrão de beleza, sendo, por isso, consideradas bonitas por quem reconhece aquele padrão de beleza como ideal. Mas há pessoas que não se assemelham a nenhum padrão de beleza existente. Objetivamente, essas pessoas são feias.

A feiura é tratada, de forma geral, como algo cômico. Se ri de quem é feio. Mas quais são as implicações da feiura para o indivíduo feio? Uma das mais relevantes é a dificuldade de acesso ao amor sexual. Ninguém quer ter como companheir@, uma pessoa feia. Nada mais natural. Afinal, os diferentes padrões de beleza são culturais, mas todos eles se apoiam na necessidade biológica dos animais de selecionar a aparência de seus possíveis parceiros sexuais. As pessoas não costumam ter tesão por alguém feio. Esse fenômeno é certamente condicionado pela cultura, mas está ligado a impulsos biológicos e, portanto, se manifestaria mesmo na ausência de fatores culturais.

Sendo assim, para quem é feio, a feiura representa uma provável violação de uma das expectativas por reconhecimento mais básicas. A feiura, então, não é nada engraçada para quem é feio. Muito antes pelo contrário: pode gerar, nessas pessoas, profundos estados depressivos.

O que um feio pode fazer, então? Tentar se adequar a um dos padrões de beleza existente é uma saída. Mas quase sempre essa opção é exponencialmente difícil, quando não inviável. Esperar que, um dia, alguém bonito (o indivíduo feio, como qualquer outro, tende a sentir atração sexual apenas por pessoas que considera bonito) @ ache próxim@ o suficiente de algum padrão de beleza, não lhe considerando fei@, é outra. Mas a probabilidade disso acontecer, em alguns casos, é imensamente pequena. Tentar passar por cima dessa “deficiência” e conquistar um parceiro bonito, mesmo assim, é outra opção. Mas esse caminho exige grande esforço, perseverança e capacidade de superação. Requisitos que depois de muitos “nãos” podem se esvair completamente do indivíduo.

Filosoficamente falando, uma quarta alternativa parece ser a mais interessante. Se o sujeito não tem beleza para dar a alguém, é improvável que alguém lhe dará. Se um relacionamento com um feio exige que o outro abra mão da beleza, ele é mais viável se o feio fizer o mesmo. Pode ser desestimulante, mas parece ser a alternativa mais eficiente. Não segui-la, pode implicar uma inacabável corrida atrás de uma das alternativas anteriores de maneira exaustiva e desgastante. De fato, muit@s seguem esse caminho, e conseguem ter suas expectativas por reconhecimento adequadamente atendidas a partir dele.